quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Conto

- Caixinha de Fósforo -
Quando criança Bartolomeu, menino levado, adorava uma brincadeira com fogo. Alertado pela sua mãe quanto ao perigo que corria Bartolomeu não dera mínima atenção e como nunca havia acontecido acidente algum continuava abusando de suas ideias. Numa manhã chuvosa de sábado Barto, como era chamado carinhosamente pela família, estava preguiçoso debaixo das cobertas quando sua mãe grita seu nome chamando-o para tomar café da manhã. Barto se levanta arrastando seu cheirinho, um trapo de cobertinha que usara quando bebê vai até a mesa, senta-se e deslumbra a mistura de cheiros gostosos do café-da-manhã, preparado com carinho pela mamãe que ainda faz um pão quente com manteiga. Ainda sonolento o menino está com uma caixinha de fósforo na mão que encontrara escondida na dispensa da mãe. Tem a brilhante ideia de fazer um boneco de fogo. Para isso pega alguns gravetos, do fogão de lenha, barbante, um pedaço do seu cheirinho para roupinha, monta o boneco e coloca fogo. O fogo se alastra rapidamente pelo boneco e Barto eufórico, com adrenalina alta, curte os pequenos momentos em que seu boneco de fogo estará vivo, na ânsia de mantê-lo acesso alimenta a pequena fogueira com mais gravetos vindo do fogão de lenha, o boneco fica maior como seu orgulho em ter criado um ser tão brilhante e vivo. Mais e mais gravetos são colocados no boneco seus olhos começam a escorrer lágrimas sua respiração está ficando pesada, a euforia de Barto começa a se tornar em medo, pois seu amigo boneco de fogo começa a se tornar em um grande monstro e ameaça a andar pela casa. Barto o alimenta mais e mais, pois acha que seu amigo tem fome e por isso está tão bravo. O amigo de fogo avança para onde sua mãe está e Barto assustado em ver que o amigo estava nervoso e que poderia feri-la começa a bater com seu cheirinho bem forte no boneco que já virara uma grande labareda de fogo, fragmentos do boneco caem por todo lado o calor era insuportável para Barto, mas lutava bravamente para matar o gigante que criara, de repente sua mãe grita: - Barto! Ele assustado acorda chorando. Sua mãe lhe abraça e diz: “Desculpa filho a mamãe esbarrou em seu pratinho e seu pãozinho quente caiu no seu colo”. Barto aliviado diz: “Mamãe não precisa mais esconder as caixinhas de fósforos”.
Eliezer Coelho

Um comentário:

  1. Esse conto está participando do concurso de contos Ler&Cia das livrarias Curitiba.

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